Reencontro
Isso é um reencontro. Entre eu e meu blog. Há tanto tempo separados, quase um ano. Olho pra ele, com seu único texto, com o estranhamento que costumo ter com tudo o que escrevo. Uma sensação de não paternidade, de que não fui o autor da história. Isso é muito comum nos meus escritos. Fosse um professante da religião espírita e diria que os meus textos tem algo de psicografia, de uma escrita inconsciente.
Analiso mais, analiso o conteúdo do texto. Um texto político, como é do meu gosto, não vou chamá-lo de profético porque para prever o que eu previa não era preciso ser nem falsa cigana. Deu no que deu. Nós realmente somos os bobos dessa corte chamada Brasil. Não há escusas, não atenuantes para o crime, há, sim, agravantes, vindo de um mandato em que só se viu e se ouviu coisas do tipo “eu nada vi e nem ouvi”. No meu tempo isso era omissão. Mais, no meu tempo, o chefe respondia por aqueles que escolhia, por seus subordinados.
Se não pecou pela ação, pecou pela omissão. Erro quando erro e quando deixo errar aqueles a quem devo fiscalizar. Não é aceitável ouvir do chefe esse “eu não sabia”. Não isenta, não inocenta. Tudo isso é passado, eis que agora Inês é morta. Além do mais, o que são meros quatro anos para quem já padeceu outros 500?
