Domrs

November 16, 2006

Reencontro

Filed under: Opinion

Isso é um reencontro. Entre eu e meu blog. Há tanto tempo separados, quase um ano. Olho pra ele, com seu único texto, com o estranhamento que costumo ter com tudo o que escrevo. Uma sensação de não paternidade, de que não fui o autor da história. Isso é muito comum nos meus escritos. Fosse um professante da religião espírita e diria que os meus textos tem algo de psicografia, de uma escrita inconsciente.

Analiso mais, analiso o conteúdo do texto. Um texto político, como é do meu gosto, não vou chamá-lo de profético porque para prever o que eu previa não era preciso ser nem falsa cigana. Deu no que deu. Nós realmente somos os bobos dessa corte chamada Brasil. Não há escusas, não atenuantes para o crime, há, sim, agravantes, vindo de um mandato em que só se viu e se ouviu coisas do tipo “eu nada vi e nem ouvi”. No meu tempo isso era omissão. Mais, no meu tempo, o chefe respondia por aqueles que escolhia, por seus subordinados.

Se não pecou pela ação, pecou pela omissão. Erro quando erro e quando deixo errar aqueles a quem devo fiscalizar. Não é aceitável ouvir do chefe esse “eu não sabia”. Não isenta, não inocenta. Tudo isso é passado, eis que agora Inês é morta. Além do mais, o que são meros quatro anos para quem já padeceu outros 500?

November 2, 2006

Um texto triste ou alegre?

Filed under: General

Um texto triste não necessita necessariamente de uma alma triste. A tristeza não é um mau sentimento para as artes, alguns podem generalizar o sentir, mas não é verdade. Quem pode imaginar ouvir alegres blues? Quando se opõe a tristeza a alegria, provocando uma oposição, se expõe a diferença visceral, fundamental entre os sentimentos. Um duelo, um confronto dos extremos, dos opostos, desses antonimos. Já imaginaram a tristeza e a alegria duelando em Dodge City?

Um certa introspecção, um recolhimento, muitas vezes ajuda na composição de um texto triste, mas não exige, que seu autor seja/esteja triste. A palavra é a expressão da vontade, do ser, e todos os modos e estados que o atingem, que são próprios do ser, devem estar presentes e serem objetos da palavra. A palavra expressa, retrata, e verbaliza essa idéia.

Nesse dia de finados lembro, e meu sentimento é mais de lembrança do que de tristeza, de algumas caras pessoas que partiram dessa vida. Perdi, será que devo usar essa palavra? Acho que seria mais próprio dizer que partiram dessa vida dois amigos, ainda jovens, um com dezesseis e o outro com vinte e quatro, partiram os meus avós, partiu meu sogro.

Partiu a Dona Terezinha, o Eilson, Paulo, Irami, partiram tantos e tão queridos amigos nessa viagem que é destino final de todos nós. Como eu disse, lembro mais de todos eles com alegria, porque a lembrança de suas vidas é alegre, estão ligados, conectados nas minhas memórias com imagens boas e alegres. Tenho certeza de um coisa: estejam onde estiverem, esse lá é mais alegre.






















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